Dieese: inflação é menor, mas produtos essenciais foram os que mais subiram

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Abaixo dos 4% no ano passado, ICV calculado na cidade de São Paulo mostra que o “mais indispensável foi o que mais subiu”.

A inflação no município de São Paulo, medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese, variou 3,89% no ano passado, um índice abaixo da meta fixada pelo governo. Apesar disso, o instituto lembra que o número precisa ser visto com mais atenção, “pois aquilo que é mais indispensável foi o que mais subiu”. E acrescenta: “Fica claro que, apesar da inflação média baixa e dentro da meta, o poder de compra das famílias paulistanas diminuiu em 2018”.

Com alta de 12,51%, a gasolina contribuiu com 0,53 ponto percentual no ICV. Segundo o Dieese, “graças às medidas adotadas pela Petrobras, com intuito de igualar o preço doméstico ao internacional”. Em seguida, a eletricidade, com variação de 13,63% e 0,38 ponto de participação no índice geral.

Outro item importante nos gastos foi o transporte público municipal, representado pelo ônibus comum: reajuste de 5,26% e impacto de 0,14 ponto.

Na sequência, com aumentos de 1,25% e 4,25%, respectivamente, os convênios médicos e as consultas tiveram impacto de 0,11 e 0,09 ponto percentual.

Entre os produtos consumidos no dia a dia, o instituto destaca o tomate, cujo preço subiu 59,36% no ano passado. O impacto foi de 0,09 ponto, pouco acima da laranja pera (0,07), que aumentou 22,58%, e do pão francês (0,06), com alta de 6,14%. A cebola teve elevação de 25,91% (0,03 ponto).

O Dieese lembra que o ICV é resultado de uma pesquisa sobre 594 itens, sendo 526 do grupo que inclui os produtos e serviços de livre concorrência, como alimentos, aluguel, manutenção de veículos, roupas e lazer. Esse grupo equivale a 62,27% dos gastos das famílias.

Depois vem o grupo “oligopolizado”, que responde por 16,41% das despesas. Inclui remédios, convênios médicos, cigarros e limpeza doméstica.

O terceiro é dos preços administrados: impostos (IPTU, IPCA), tarifas de transporte coletivo, combustíveis, água, luz e telefone. Representa 21,32% dos gastos habituais. Foi justamente esse grupo que teve a maior alta em 2018: 6,19%. Os “livres” subiram 3,55% e os “oligopolizados”, 2,17%.

// Fonte: Rede Brasil Atual